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Este grupo se destina ao livre convívio, sem barreiras de qualquer espécie, tendo apenas como base o respeito mutuo.  Aos que aceitarem este "desafio" desejo que se divirtam.

TODOS SÃO BEM-VINDOS

Terça-feira, 29 de Março de 2005

O Melhor comentário


Aos estimados leitores


Perante  tantos
comentários que existiam com a única finalidade, criar publicidade dos blogs
do autor.


Eis que aparece um
comentário, ligado ao tema e merecedor de louvor, ao comentador o meu "
muito obrigado",
e que este gesto sirva de exemplo para todos os que desejarem fazer seus
comentários.


 


O Melhor comentário


Como lhe disse, aqui venho deixar o
meu comentário. E escolhi, para isso, o tema da liberdade. Entro, então, no
seu assunto. «A liberdade», Miguel, é para mim uma das coisas mais difíceis
de «definir». Deixo-lhe, antes de mais, a propósito, esta pergunta, em
resposta ao seu «desafio» : se a pudéssemos «definir» - a definição é, em
sentido próprio, aquilo de que se pressupõe o 'fim', o limite, a fronteira
do de/finido como sua condição de possibilidade - acha o Miguel que
estaríamos, ainda, em condições de pensar «nela»? Se de uma «definição» de
liberdade nos tivéssemos apropriado, mantê-la-íamos nós, ainda, no nosso
horizonte? E todavia, tem o Miguel razão: é preciso pensar nela, repensá-la,
para além e aquém de si mesma. Libertá-la de «si mesma», fazê-la tremular,
'contra todas as alienações', a começar pela alienação de si mesma. Para
mim, a liberdade consiste em abrirmo-nos aos «sentidos» do mundo (de uma «mundeidade»
que é histórica). E friso bem este plural, porque me parece que se não deve
supor a possibilidade, hoje, de o manter numa geografia fechada. Somos,
enfim, pro-jectos de mundo: eis o que confronta a nossa responsabilidade.
Para um cristão, a «liberdade» veio a ser «renúncia», desde muito cedo.
Liberto-me do pecado como quem se afasta de uma maldição do corpo, etc, por
uma salvadora renúncia. A pastoral do século XX secularizou-se, contudo, sob
muitas formas. Expandiu-se, por exemplo, pelas ciências ditas humanas e
pelas tecnologias do sujeito, bem como pelas instituições de adestramento
diplomático, relacional, do direito internacional, etc, e as coisas mudaram:
a psicologia, a psiquiatria, a psicanálise, a geografia, a antropologia, a
pedagogia foram-se instalando, pouco a pouco, sob a intenção de perscrutar
os movimentos mais recônditos da «alma» (da psyché) e de a fixar a uma
natureza, ao que se supôs e se continua a pensar ser «a sua natureza». E eis
que o psicanalista, o psicólogo, o psiquiatra, o pedagogo nos surgem como
sucedâneos do «confessor». De um discurso de «libertação» (era assim que
outrora se pensava a confissão, no horizonte da comunhão: exteriorizar, pelo
discurso, aquilo de que era necessário que nos subtraíssemos, para
recebermos a palavra, para nos elevarmos ao Verbo) ela tornou-se, pouco a
pouco, num discurso da «alteração» ou da «Outração». O que nisto nos põe de
pé atrás é, afinal, esta coisa estranha: a liberdade cristã de outrora
tornou-se, no nosso século, «pragmática» e consentiu-se «laica». E isso,
põe-nos desconfiados: nada nos é negado, a não ser pela dádiva... Cabe,
aqui, um contra-exemplo crítico: há tempos, um poeta português que é,
também, padre - refiro-me a Tolentino de Mendonça, que é uma figura
importante da poesia portuguesa de hoje - quando lhe perguntaram como
conciliava a poesia com a fé, respondeu: 'bem, não há conflito, porque a
minha vocação é «não ser ninguém»'. A poesia é o exercício desse desígnio'.
Foi a melhor «definição» que ouvi. A questão é, portanto, para mim, esta: a
liberdade exercita-se, vive-se, não se «define», para se «exercer».
Exactamente como a fé, desconfio eu. E isso implica fatalmente que ela de si
própria duvide e a si mesma se interrogue: suspeitamos, hoje, de todos os
«artigos definidos». Eis, pois, «a minha opinião». (Entretanto, em benefício
de um melhor conhecimento mútuo, aqui fica uma breve resenha biográfica.
Fui, em tempos, operário. Trabalhei, durante uns bons 14 anos, em fábricas
de refrigerantes, de produtos químicos, na construção civil, em estaleiros
navais e numa companhia de seguros. E vi muita coisa inesperada... Quanto à
«liberdade», apenas discursos e graffitis...) Obrigado pela sua atenção. Um
abraço do JP


Enviado por JP em março 27, 2005 02:02
AM

Viver Livremente editou às 21:33
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